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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O ladrão de sonhos



A mão passeia-se pela tua pele macia
Meus dedos no teu corpo servem de guia
Sensações que se foram no momento
Levadas pelo ladrão de sonhos e do tempo                                  
            

A minha memória chora tua ausência
Revejo em câmara lenta, com insistência
Todos os gestos, sons, sombras e pintas
Com o olhar fixo no teu sorriso sem fintas

A minha mente construiu uma barreira
Que o medo destruiu junto da lareira
Chamas de emoções atiçadas a contratempo
Pelo ávido ladrão de sonhos e do tempo

Os lábios que são teus por vezes me destes
Beijos de amor varias vezes me propusestes
No baú da paixão guardei carinhos e mimos
Foram dados em segredo a este menino

Perdi-te na bruma infeliz dos julgamentos
Receei a praça pública e seus tormentos
Dei ouvidos ao juiz do velho e feio medo
Perdi-te, para não ser apontado pelo dedo

Com lápis de amor não preciso de telas
 Desenho-te todas as noites nas estrelas
Procuro-te, nem que seja em pensamento
Matei agora o ladrão de sonhos e do tempo

O senhor medo…

António Afonso

2010-08-28      (Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

UMA BRISA LEVE



Uma brisa leve levou o meu pensamento
Para lugares que só existem na memória
Onde não existe nem hora nem tempo
Revisitar dia e noite janelas da história

O dedo trémulo percorreu a pedra Aspara
Outrora testemunha da nossa presença
Os lábios serram-se e a lagrima não pára
Gravei tua imagem de forma tão intensa

Onde está o atalho feliz que me leva até ti
Safaram as peugadas quando eu te seguia
Alcei terra e mar mas ainda não me convenci
Que do meu sonho fugiste sem data nem dia

Para lá de todos os sonhos elementais
Segui impulsos de tempos passados
Derrubei barreiras e ilusões mentais
Em labirintos de neurónios desgastados
Não te encontrei na realidade virtual
Tenho de voltar para o mundo tangível
E continuar a minha existência actual
Com o peso do teu amor invisível.

António Afonso

(Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

2014-11-05

domingo, 27 de dezembro de 2015

O caminho invisível…


Um dia acordei e tudo na vida parecia novo
Revelação e magia cresciam dentro do ovo
O ovo da inocência renascida a luz do dia
Onde a escuridão envergonhada se encolhia

Abri os olhos e a mente ao desconhecido
Palavras ecoavam em silêncio repetido
Dentro de mim codificava-se o ininteligível
Sinuoso e escondido caminho invisível

Era belo, mágico e fantástico para mim
Não olhei para trás e a tudo disse que sim
Alegria transbordava do meu peito todo o dia
Foquei-me no momento fugaz, não sabia…

Não há magia sem alimentar a disciplina
Sem domar o ego, a luz desaparece na retina
Escorreguei tantas vezes nas palavras e nos actos
Agora na entrada só existe pedra dura e cactos

O caminho invisível, eu quero revelar
Para tal a inocência tenho de iluminar
Deitar fora a preguiça e o velho demónio
Agarrar a magia e pedir-lha em matrimónio

Eu quero aqui fazer um voto
Que a escuridão descubra a luz
Nos corações dos seres humanos
E possa repelir os vícios mundanos


António Afonso
2010-08-29

(Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

sábado, 26 de dezembro de 2015

O HOMEM SOLITÁRIO


O HOMEM SOLITÁRIO











Sempre pensativo caminha no silêncio
Mão nos bolsos com ar de decadência

O homem solitário na rua vagueia
Vazio no olhar, sem sono e sem ceia

Refugia-se nas atenuas memórias
Em instantes de vida lúcida e sóbria

A calçada não mais censura as pegadas
Com ausências de partidas e chegadas

Escreve todos os dias a sua biografia
Pela noite dentro até nascer o dia

E quando o sol banha a sua carola
Delira com recordações de gabarola

Sonha com novo rumo e mão amiga
Com poucas forças, não quer briga


A esperança fica no fundo da botelha
Bebida viciosa de anestesia fedelha

Soluça mas não cede a falsa piedade
Ciclo vicioso criado pela sociedade

Onde a moeda na mão não alivia
A culpa cega da caridade vazia

É mais uma alma vestida de homem
Que se perdeu no caminho de ontem

A procura do amanhã que se afasta e foge
Esquecendo-se que tem que viver hoje

Se alguém encontrar essa criatura
Estendem-lhe uma mão segura

As pisadas se cruzam em vão
Solitários na rua, vocês amanhã serão

Uma mão amiga, vocês pedirão
Ao homem que vagueia na solidão


António Afonso 2015/08/04   (Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Só existe o sonho


Só existe o sonho

Não te esqueças de acordar
O sonho perdido da noite
Onde tu vives para sonhar
E acordas decidido e afoite

Levanta-te sem demora
Da torpeza dos pensamentos
Para sair da tristeza agora
E limpar a névoa do esquecimento

Deixa de tatear em vão o muro
Abre mão de todas as lamentações
Bate a porta, dá um murro
Afasta-te e separa-te da perdição

Dá passos firmes no cabo suspenso
Sem rede e sem medo da queda
Para sentir o perfume e incenso
Derramados em noites de trevas

Corre, Salta e dança ao meio-dia
Não há limites e susto medonho
Não há noites, não há dias
Depois da vida, só o sonho

                      António Afonso 2015/12/02 (Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O PERDÃO


O perdão é uma sabedoria
não se encontra numa festa ao rumaria

O perdão sai do âmago… das entranhas
Não se vende… nem é coisa estranha

O perdão é energia e beleza
É como uma flor que desabrocha com firmeza

O perdão é sempre pouco e nunca vem tarde
Não é só para o afilhado ou compadre

O perdão cresce dentre da gente
Não é preguiçoso nem diligente

O perdão dá-se a sempre com paixão
Não se nega nem as portas do caixão

Cristo nos deu o seu perdão
Aprender a perdoar é uma bênção·

AFONSO

(Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A carta que nunca irás ler…


Peguei na pena e molhei o bico na tinta
Para te dizer adeus sem rodeio nem finta
Escrevi que os dias sem ti não têm graça
Os sentimentos não se apregoam na praça

A pena treme e a letra nasce sem vontade
A separação atinge o peito e dói de verdade
O papel é curto e há tanta tinta para gastar
A dor rasga, mas… não vou deixar de te amar

Escolho as palavras… mas nenhuma define a dor
A tua falta dói tanto que vejo a vida sem cor
Guardo na minha memória o teu último olhar
No corpo guardei o teu abraço para recordar

Escrevo sem vontade a minha despedida
No meu mundo nunca serás esquecida
No espaço e no tempo o teu olhar ficou
Rios de lágrimas o meu coração chorou

Tanto escrevi… para pouco ou nada te dizer
Secaram-se as palavras, e as lágrimas para verter
O teu perfume para sempre me embriagou
A tua bela silhueta, minha memória gravou

Não entendi o pedido quando me batestes a porta
Nada, nem ninguém nesta solidão sem ti me importa
A pena debaixo de tanta tristeza devagar entorta
Não abro mão de ti… cansado espero-te sem força



Adeus.

AFONSO 2010     (Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)