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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

E se …


E se… um dia eu volitasse para os teus braços
Sem medo das emoções desgovernadas
Por caminhos que só o coração domina
No teu peito aterrava um pouco embriagado


E se… um dia eu me embrulhasse em ti
Os teus cabelos no meu corpo como um laço
Nesse presente do futuro em que me entrego
Rasgava-se o papel para os meus olhos te ver


E se… um dia o muro das nossas diferenças desabasse
Sem fronteiras nem barreiras para festejar o amor
Sem magia nem maçãs envenenadas para nos separar
Rompiam-se os vidros e espelhos para te tocar


E se… um dia meus dedos passeasse na tua pele arrepiada
Com toque frenético e movimentos ansiosos
Para descobrir os relevos escondidos do teu corpo
Sentir todos os teus desejos até agora escondidos

E se… e se… e se… já é falar e pensar de mais
Não quero mais imaginar o que poderia acontecer
Senta-te aqui ao meu lado, dá-me um beijo eterno
Para colocar no álbum da nossa história

2014-05-01 ANTÓNIO AFONSO

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

O cavaleiro










A bruma se dissipa, levanta-se o véu
Por cima da negrura, reina a beleza no céu

A lança lacera a armadura pesada da guerra
O cavaleiro desce do cavalo e põe o pé na terra

Deixa cair seu brasão para abraçar o novo mundo
O legado é pesado e não pode vacilar um segundo

Lutou sem trégua contra poderoso preconceito
Que a sociedade tacanha impunha a preceito

Escudo rompido pelos avanços guerreiros
Marcado pelas batalhas travadas no terreiro

Poderosa espada no punho do homem
Bailou cortando velhos ventos de ontem  

Hoje o cavaleiro vive em plano paralelo
Procurando um ombro amigo e singelo

Pode ser que tu sejas o sincero amigo
Leva a espada, e ele estará sempre contigo.

2013-01-13
António Afonso

( Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

NO TEU MAR AZUL

Um dia que nunca chegou
Num lapso de vida que sobrou
Foto da autoria de António Afonso
 (reservados direitos de autor- lei 50/2014)
Vi em fragmentos temporais
Lindos olhos verdes cristais

Fitavam o futuro no horizonte
Ignorando como chegar a fonte
Esperança presa na teia da aflição
Invisível aos trilhos do coração

Resgatado de um passado
Amor ansioso e despeitado
No presente que não existe
E que perpétuamente insiste

Sonhamos os dois renascer
E nas linhas da paixão viver
Colados pelo beijo que sente
Os lábios carnudos e quentes

Até lá te envio os trovões
Da felicidade em porção
De saudade para no sul
Me reflectir no teu mar azul

António Afonso 2016/02/23

(reservados direitos de autor – Lei 50/2014)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

SONHEI…

Sonhei que nasci de novo 
No meio da luz e do povo

Vim da constelação do meu pai
Cavalgando um raio que vem e vai

De todas as cores do arco-íris
Com bênção de Gaia e da mãe Íris

Para amar de novo o mundo
De outro planeta sou oriundo

Com armas de doçura e esperança
Vou conquistar a paz e tolerância

No fim da caminhada... vou morrer
E levar no meu raio até ao amanhecer

Vosso amor para na minha estrela viver
Somos um só… para na eternidade vencer

Sonhei...

AFONSO
08-09-2008

(reservados direitos de autor- lei 50/2004)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

DESPIDO


Sinto-me vazio sem fundo
Nó na garganta, fico sem fala
Será que preciso do mundo?
Pergunto-me como se sai da lata?

Sigo para o trabalho de cabeça baixa
Passos mecânicos por metros contados
Vultos conhecidos, sorriso não paga taxa
Aperto de mão, não fujo ao contacto                                                  

O dia curto se faz, igual se torna
O vazio cresce no corpo resignado
Cansado da sociedade na sua forma
As emoções rebentam o frágil saco

Quero deitar o supérfluo fora
Tenho muita palha e muita escola
Engoli saberes e ideias sem demora
Nada é meu, fixaram tudo com cola

O vazio se tornou buraco negro
Destrói tudo que não é original
Fica poeira e lixo no interior preto
Virou virgem no peito sem dar sinal

Agora sinto-me despido de tudo
Tenho tudo e não tenho nada
Não penso, não falo, sou mudo
Cego, não vejo o fundo da mala

Não quero nada, em troca sagrada
Assim como vícios foram despidos
Preconceitos perdidos na estrada
Ego fraco não mais será temido

Este vazio não será mais estranho
liberta da palha e da tralha
A espera do verdadeiro sábio
Alma real com veste de canalha.

António Afonso

2014-01-06 ( Reservados direitos de autor – Lei 50/2004 )

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

PARTIDA


PASSOS QUE VAGUEIAM PELA VIDA
NÃO FUI A TEMPO DA TUA PARTIDA
NO PASSEIO QUE NÃO TEM VOLTA
SAÍSTE SEM PEDIR MINHA ESCOLTA

A DESILUSÃO TE APRISIONOU
FECHOU PORTAS E NÃO ESPEROU
RASGOU ESTRADA E VENTO…
MILHAS… ATÉ AO BARLAVENTO

ADEUS… SEM BILHETE-POSTAL
SEM RECADO, NEM MORAL
POEIRA QUE SE REALÇA NA CURVA
NUM DESERTO PLENO DE AMARGURA

SINTO O PEITO FERIDO PELA AUSÊNCIA
A CABEÇA PERDIDA NA TURBULÊNCIA
DOS BRAÇOS QUE SOLTARAM FUJIRIXARM FUJIRR O PELANHO O SONHO
ISOLANDO-ME NESTE CENÁRIO MEDONHO

O QUE FAÇO DO TEU LEGADO
APENAS FICOU O CHEIRO DO PECADO
EM PENSAMENTO TE VEJO E SIGO
DESNORTEADO COMO UM MENDIGO

LEVASTE CONTIGO O SABOR VADIO
DO BEIJO QUE TE DEI AO PÉ DO RIO
E NO OUVIDO O SOM DAS PALAVRAS
QUE NA MEMÓRIA FORAM LAVRADAS

EU… FICO DESTE LADO DO MUNDO
COM MIL RECORDAÇÕES POR SEGUNDO
VIVENDO OS INSTANTES NA ESPERANÇA
QUE UM DIA ME CONCEDAS UMA DANÇA

António Afonso 2016/02/12 (Reservados direitos de autor - Lei 50/2004)

domingo, 7 de fevereiro de 2016

MALDICÊNCIA

Falar de tudo e de nada sem tema
Dizer ao desbarato é um anátema

Sempre que as línguas se sentem libertas
As palavras afiadas se revessam em festas

Jamais avaliamos consequências e estragos
Cavaqueamos sem medir posições e cargos

A senhora, a indumentária, a viatura e a cunha
Motivos e temas de sobejo para deitar a unha

Quando polémica cegueira mental reina
O egoísmo perde ponderação e pena.

Descerrar a janela da ignorada alma
Solevar areeiro com revolucionária calma

Permite vislumbrar o poder da consciência
E retrair do vocabulário a maledicência

A singular palavra que não carreia dor
E metamorfoseia o ser humano
é… o amor

António Afonso 2015-08-02  (reservados direitos de autor – lei 50/2004)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

PENSA…

Pensa… no improvável
Alcançaras o impossível
Nada mais além da visão
De que um sonho de paixão
Que apenas enxerga o óbvio
Para se libertar das malhas do ócio

Pensa… no sonho de verdade
Alcançaras plena liberdade
Para te conduzir com leveza
E te carregar no colo da certeza
Que inspira os teus pensamentos
Nos desvarios de cada momento

Pensa… na zona de conforto
Recusas-te que nem morto
Preso pelas garras do medo
Não mexes sequer um dedo
Para abraçar o olhar meigo
Que te desnuda com desejo

Pensa…
Mas não esqueças…
O olhar que era meu…
Perdido nas tuas memórias…


António Afonso 2014/02/05 (reservados direitos de autor – lei 50/2004)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Procurar um sentido…


Nas horas negras deitei tudo para longe
Nada mais quis para além da solidão
Nas minhas orações tornei-me monge
Fechei os olhos a nossa paixão

Ocultei o nosso mundo aos olhos da alma
E vivi nas parcas limitações da matéria
Procurando um sentido para sair da lama
Nos trilhos que se desuniram nesta terra

Os anos fugiram entre dedos passivos
A corda esticou e cedeu ao desalento
O espaço por estranho foi invadido
Levou para longe o amor apreensivo

Perscrutei o mundo a nossa volta
Para ver além do sonho e da vida
Procurei mil vezes alterar a nossa rota
Mil vezes voltei ao ponto de partida

Quando queremos raptar o passado
A depressão cresce e se mostra imensa
Se investimos num futuro desarmado
A ansiedade surge sem pedir licença

Quando perdoamos os erros o mundo
Conseguimos nos afastar da tristeza
Quando procuramos bem no fundo
Apesar da ausência vemos a beleza

António Afonso  2016/02/01

(Reservados direitos de autor-lei 50/2004)