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sexta-feira, 29 de abril de 2016

SONO DE VÉNUS…

Imagem: retirada da Internet
No alto da esperança...
No baile dos pensamentos
Suave vida numa dança
Passos no firmamento

Na escadaria da catedral
Vagueio nos degraus da dor
Esperando um sentido sinal
Balsamo para o nosso amor

Vi tua silhueta…
No jardim do Bom Jesus
Imóvel como estatueta…
Branca como a deusa Vénus

Perante tua visão…
na calçada da verdade
Os olhos...de tanta emoção
Se fixaram na eternidade

No cair da escuridão
Debaixo de tanta chuva
No último aperto de paixão
Debaixo do guarda-chuva

Disse… que sentia teu calor
Nessa noite de chuvada
Chorei perdidamente de amor
Pelas nossas almas encharcadas

Já carpi rios de lágrimas
E fiz inúmeras promessas
Nesta vida de dramas
Nestas horas travessas

Só tu me importa
Não durmo, nem acordo
Abre-me de novo a porta
E deita-te no meu sono

António Afonso 2016/04/29
(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

domingo, 24 de abril de 2016

Semente de amor...

Imagem:retirada da Internet
Olhei para ti…
Na rua do desejo
Num instante fugaz

Pisei a calçada…
Cansada de histórias
Desconhecendo a tua

Amei-te sem saber…
Apenas pela intuição
Senti-te chegar…

Contei cada pedra…
Do teu caminho…
A espera de um beijo

Gritei de ansiedade
Nos ensejos infinitos…
Que nos separavam

Deixei-te entrar…
A luz do meu dia…
No bater dos ponteiros

Edifiquei nosso amor…
Na terra da paixão…
Alicerçada no coração…

Que tu levaste…
Na estrada da vida…
Arrastado pelas lágrimas

Fechei os olhos…
Imaginei-te linda…
Apesar da ausência

Pedi para ti…
Felicidade infinita           
Inexaurível no presente

Gravei no peito…
Em letras de luz…
O teu nome dourado…

Fica no evo…
Um pacto de sangue…
Um sonho sagrado

Que se foi…
Nas asas de um anjo…
Semeando amor

António Afonso  2016/04/24
(Reservados direitos de autor. Lei 50/2004)

terça-feira, 19 de abril de 2016

O SER PEQUENINO…

Desenho: António Afonso
Infância escondida no passado
Repleta de ruídos e ranger de dentes
Olhos fechados aos ditadores e soldados
Perdido em pensamentos descrentes

Mãos no alto parecendo sombras
Reprovas encolhendo o ser pequeno
Fivelas de couro rasgando penumbras
Gritos abafados num lar desfeito

Olhos esbugalhados perante o medo
Contorcido pela dor infligida no corpo
Deitado no Chão sem mexer dedo
Na cabeça o sonho sempre morto

Porquê tanta violência no lar?
Quando apenas o petiz sonha
Retraído nem consegue falar
Vertendo lágrimas de vergonha

Penoso foi o despertar do adulto
Percebendo que o amor é egoísta
Contradições morais na conduta
Mosaico partido de uma vida vazia

Reconstruir o trilho perdido
Nas poucas e boas recordações
Do sonho intemporal e recôndito
Crescer para superar as emoções

Olhar por cima do ombro e perdoar
Deixar cair o saco do aflitivo tempo
Abraçar um rumo novo e abençoar
Peito repleto de amor e sentimento

Novamente entregue ao caminho
A porta ficara sempre aberta
Para um ser traquina e pequenino
Que se fez homem e saiu da caverna

António Afonso
2014-08-02
(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

domingo, 17 de abril de 2016

ESPERO-TE NA VOLTA…

Imagem: retirada da Internet
Quando o nada se agigantava…
E os passos não tinham rumo…
Quando a hora se questionava
E o dia perdia seu sumo…

No passeio sombra de lua…
Vi tua silhueta crescer…
Sem vergonha nesta rua…
Para que eu te possa ver

Quando os olhos se tocaram
E a nossa química disparou…
As palavras nunca se negaram
E o desejo se apresentou…

Naquele instante sem tempo…
A rua se encolhia com calma
No calor do momento…
Para abraçar nossas almas

Na soleira da porta branca
Com chave de mestre…
Eu abri sem retranca…
O templo do Éden terrestre

Ali tudo se consumiu…
Na chama ardente de paixão
O amor que nunca dormiu…
Virou eterno pela sagrada união

Quando o dia se atrevia…
E teu corpo se fazia refém…
A saudade no peito crescia…
Prevendo partida para mais além

Guardei suor e lágrimas
Neste corpo que te tocou
E no sopro do vento as rimas…
Que na estrada te levou

Espero-te na volta…
Da esperança…
Sem dia nem folga…
Aguardando a bonança


António Afonso 2016/04/17

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Terra de vida…

Imagem :retirada da internet
Belas são as flores
Nos trilhos da vida…
No enlace das cores…
Na manhã destemida…

Beleza que desperta…
Os ruídos do silêncio
Na imaginação alerta…
Descrita no compêndio

Séculos de memória…
Espólio da humanidade
Para gravar oratória…
Nos túmulos da verdade

Almas silvestres…
Transpiradas de orvalho
Nos carreiros pedestres…
Onde tudo é cascalho

Terra do homem…
Altar da mulher…
Que se consomem
Até a paixão morrer

Rumo sem dia…
Tempo na foice …
Luz sem guia…
Flor na noite…

Terra de vida…


António Afonso 2016/04/13

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

DEUS

Desenho de António Afonso

Porquê?.. Porquê viver assim?
Das estrelas olhas para mim!

Cresci, ouvi e segui as tradições
pequei E CHOREI RIOS DE CONTRADIÇÕES

Não te vejo no rodopio do além
Vadio no mundo que vai e vem

Perguntei mil vezes pelo teu reino
Sinto-me perdido sem mapa nem treino

Parei na mente do mendigo
ABRAÇA-ME DEUS AMIGO!
         

ANTÓNIO AFONSO 2016/04/13
(Reservados direitos de autor-lei 50/2004)

domingo, 10 de abril de 2016

Sombras de vida...

Foto de António Afonso
Sol de outono…
Brisa de esperança…
Palavras em uníssono…
Vento de mudança…

Agua nos pés…
Neste vai e vem da maré…
Nesta quietude aparente…
Na imensidão transparente…

Areia no corpo…
Grãos levados pelo vento…
Reavidos sem suborno…
Na engrenagem do tempo…

Sombra que nasce…
Desarmada pelo sol…
Forçada ao desenlace…
Debaixo do lençol…

Dança ao luar…
A coberto das estrelas…
Que brilham sem amuar…
Sob os corpos na umbrela…

Tempo que se foi…
Afogado pelas lágrimas…
Num mar de dúvidas que doí…
Resgatado no jogo da esgrima…

Paços de um dia…
Gravados na calçada…
Pelo desejo que assedia
A mulher amada.

Recordações…
Desejo…
Paixão…
Amor…
Vida…

António Afonso 10/04/2016

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

sábado, 9 de abril de 2016

Estou aqui…

Imagem: retirada da Internet
Quero sentir-me livre da pressão
Descer das nuvens sem vertigem
Solto neste labirinto de ilusão
Desafiando o espaço virgem

Estou aqui… no fim do canudo
A procura da luz do espelho
Segurando-me neste mundo carnudo
Maravilhado como um inocente fedelho

Abrir as asas e lacerar a escuridão
Chegar salvo e são a porta sagrada
Caminhar com os pés no chão
Parar de andar de costas na estrada

Abrir a mão de tudo que é velho
Deixar o peso da vida lá traz
Reflexos vaidosos do rapazelho
E do ócio que nada traz

Sentir e cheirar a vida
Com sabores da infância
Até um dia assinar a partida
Para uma nova estância

Até lá…
Estou aqui…


António Afonso 2016/04/09


(Reservados direitos de autor - Lei 50/2004)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Tempos idos…

Imagem: retirada da Internet
A dor levou-me em meditação
Por locais olvidados da memória
Onde a saudade virou oração…
Nos templos sagrados da história

Nas fachadas de pedra gasta
Que testemunharam o amor
Cada lágrima que foi resgatada
Se perdeu…buscando teu ardor

Onde está a voz da razão?
Ficou muda pela ansiedade
De te abraçar com paixão…
No sacrário da religiosidade...

Na busca de sinais angelicais
Segui impulsos renascidos
Derrubei barreiras mentais…
E trilhos obstruídos…

Não encontrei as fronteiras
Para o paraíso prometido
Andei a volta da fogueira
Perdi-me nos tempos idos.

Perdi-me…
Sem ti…


António Afonso
2016-04-06


(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Onde estás...

Imagem: retirada da Internet
Se os meus passos recusam o caminho
Por onde andei de mãos-dadas contigo
E tua sombra se desfaz na meia-luz
Em locais que a tua ausência reduz

Se meus olhos não descobrem tua silhueta
No parque onde andavas de bicicleta
E no ar fica o burburinho do teu suspiro
Com saudades do teu último sorriso

É porque fugistes para sul
Para longe do nosso sonho azul
Deixaste-me vazio, sem notícias  
Apenas dor para dividir pelos dias

Se o futuro se transforma
E não vejo nem cor, nem forma
Quando a sociedade tem força
E falta coragem para enfrentar a forca

Se o ombro não mais suporta
O peso da consciência que nos derrota
Quando o espaço sagrado é profanado
E o conto de duas almas foi apagado

É porque partistes em busca da paz
Pelo tapete de sonhos que jaz
Com história e lágrimas que balizam
As recordações temporais que chacinam

Se o sonho não vence distância
Fechado nesta rotina de segurança
Rodeado de conselhos e matéria
Acaba destroçado e apeado em terra

É porque para onde vais não vou
E quando choras não estou
Tenho medo dos dias sem ti
E das noites longas aqui...

É porque onde estás…
Eu quero estar…


António Afonso
2015/11/21

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

domingo, 3 de abril de 2016

A praia da nossa paixão…

Sentados junto ao mar
Abraçados na areia…
Imagem:retirada da Internet
Com cheiro a maresia no ar
E nas costas a aldeia…

Corações em sintonia
Perante a imensidão…
Sofrendo pura agonia
Pela proibida paixão

Sol de outono…
Juntos na esperança…
Palavras em uníssono
Ditas sem cobrança….

Aguas nos pés…
Nesta quietude aparente…
Neste vai e vem da maré…
Húmido e transparente

O amanhã desconhecido…
Se apresenta com dor
Últimos minutos escondido…
Vivendo o verdadeiro amor

A ver o mar desgarrado
Suspensos na peneira…
Pelo desejo encontrado
Filtrado como areia...

Greiros que o vento levou
Se forram contra vontade
Que a distância transportou
Para longe da verdade

Ausência e derrota…
Nestes dias sem notícias
Que o presente encapota...
Com esperança a cada dia

Aqui na recordação
Do tempo que se foi…
Na praia da nossa paixão
Que ainda hoje dói…


António Afonso 2016/04/03
(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Fogo da Alma

Imagem: retirada da Internet
Na veia poética…
Na morte anoréctica…
Na busca da ética…

Vivemos prego a fundo
No nosso reino imundo
Subsistindo ao segundo

Anestesiados pelo ter…
A procura do ser…
Não conseguimos ver…

Nas noites despidas
Nas horas perdidas
Pela morte temida

Ouvindo na praça…
Profetas da desgraça…
Expondo sua graça…

Viver em consciência
No limiar da excelência
Libertos da dependência

Obriga-nos a mudar …
Para a eternidade abraçar…
Até a plenitude alcançar…

Com os olhos da alma
Antevemos com calma
O sábio que acalma…

Dentro de ti desperta…
E no peito aperta…
O amor que liberta!...

O amor eterno…
Que nasce no deserto
E atiça o fogo interno…

Da alma…

António Afonso 2016/04/01

(Reservados direitos de Autor – Lei 50/2004)