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domingo, 22 de janeiro de 2017

Perdido na Lua...

Ando perdido na lua…
Falando sem nexo…
Rodeado de gente inquieta
Com o bruaá da minha alma

Não consigo descer…
Estranha terra, esta?
Sem ti ficou vazia…
Nas noites barulhentas…

Não ouço tua ausência
Na minha mente aluada…
Que descola aturdida…
Com o silêncio da tua voz

sentado fico na noite…
Contemplando as estrelas…
Ficariam ofuscadas…
Com o brilho do teu ser…

Vivo num deserto de emoções
preso nas areias movediças...
fustigado pelos ventos...
e a corrosão da memória...

Conto horas e dias…
Para vencer o tempo
que me quer envelhecer...
sem que te possa ver…

Venci a dor…
Derrotei o medo…
Aprendi com a distância...
Que a paixão se transforma…

Fico ao luar…
Projetando amor…
Pelas ruas da vida
para aquecer teus dias...

António Afonso 2017/01/22
(Reservados direitos de autor- Lei 50/2004)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Dançar na escuridão...

Acordei da escuridão…
Procurando tua luz…
Embriagado pela paixão…
Só tu me seduzes…

Pintei mil cores…
No caminho da vida…
Para enganar a dor…
Na tua falta sentida…

Soprei desejos…
Aos quatro ventos…
Pois tenho tanto ensejo
De te ver por momentos

Neste retiro de monge
Fechos os olhos devagar
E vejo-te ao longe…
Na Fiesta dançar…

Permite-me sonhar…
Que o tempo não existe…
Para te poder abraçar…
Nesse baile que persiste

Numa roda-viva…
Onde se perdem os passos
Na pista deslizante da vida…
Olvidando o passado…

Sonhei na escuridão…
Com a luz da esperança
Senti teu corpo de paixão
Me abraçar numa dança

Acordei na mente…
De um eterno amante…
Que guarda para sempre…
No peito o precioso diamante

António Afonso 2017/01/18

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

sábado, 14 de janeiro de 2017

Será que estou sonhando?

Será que estou sonhando?
Nestes dias que me coagem…
A caminhar sem te ver…
Ou será alucinações?

Tateio os vidros…
Nesta redoma sem janelas…
Não consigo respirar teu ar…
Sentir a brisa do teu corpo…

Ainda ontem acordado…
Convocaram-mo os momentos…
Para em surdina te ver…
Sem medo do amanhecer

Parti todos os espelhos…
Para negar teu reflexo…
Mas os fragmentos…
Refletem mil partes de ti

A ilusão me abraça…
As recordações me beijam
Fiquei refém do passado…
Retido pelo teu tempo…

És bóia de salvação...
Neste mar de incertezas…
Não me deixes afogar...
nas ondas do desejo

Será que estou sonhando?
Fumaste minha vida…
Apenas deixaste cinzas…
Que o vento afastou de ti…

Se um dia acordar…
E o mundo sem ti girar…
Vou errar como louco…
Vivendo feliz na mente…

Será que estou sonhando?
Será que te foste…
E a distância se avoluma
Repelindo a esperança…

Deixo uma porta aberta
No meu sonho…
Para poderes entrar...
Sem me acordar...

Eu quero viver sonhando
Nesta realidade de solidão
Só assim continuas existindo... 
Para mim…

Será que...
Estou sonhando?
 saber


António Afonso 2017/01/14

(reservados direitos de autor –Lei 50/2004)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Lembras-te...

Lembras-te de mim?
Ainda vivo aqui…
Nesta vida que corre depressa
Sem ti…

Ainda ontem te via…
Pelas ruas da nossa vila…
Nas esplanadas ensoleiradas
Onde teu sorriso reinava…

Hoje sinto saudade…
Dos encontros na praia
Quando tua boca salgada…
Murmurava ao meu ouvido…

Vidas de desencontros…
Que se procuram mutuamente…
Pelos sinais do passado…
Perdidos nas brechas do presente

Lembras-te quem fui?
E o que fomos em tempos…
Abraçados no frio da noite…
Sem pressa do amanhã…

Teu sorriso prometia o futuro…
Quando chamava minha atenção
E o sonho me fazia refém…
Se nos teus braços adormecia

Lembras-te?
Do bater da porta…
No sítio da nossa paixão…
No canto que era nosso…

… Encontros proibidos...
Nas horas que se perdiam…
Nas palavras por vez trémulas…
Que se faziam desinibidas…

Esqueceste de mim?
Não mais percorres minha rua?
Não me consegues encontrar?
Ou será que tens medo de amar?

Lembra-te…
Que não te esqueci…

António Afonso 2017/01/02

(Reservados direitos de autor –Lei 50/2004)