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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

NADA SEI...

Faz uma hora….
Um século na eternidade…
Uma gota perdida no oceano…
Na imensidão que nos separa…

Pensava que te amava…
Faltava-me a nobreza do saber…
A capacidade de perceber
Que nada sabia sobre o amor…

Vi-te desaparecer…
Levar contigo o amanhecer…
As lágrimas que não soube amparar
E a sabedoria que me querias oferecer…

Ajoelhando-me chorei…
Sobre o sonho desfeito…
E os restos mortais…
De uma história a dois…

Todos os passos…
Brincadeiras…
Segredos nossos…
Gravados ficaram no coração

Não tem como esquecer…
Nem o tempo consegue apagar
Este tesouro que guardo...
Num canto da nossa eternidade…

Os anos ficam velhos…
Os caminhos se refazem
A sabedoria aparece…
Nas lições que a vida tece…

Só sei…
Que nada sabia…
Mas agora sei …
Que te amei um dia…

Agora sei…
Apenas sei…
Que sempre te amei!

António Afonso 2017/02/27

(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

sábado, 25 de fevereiro de 2017

NOITES BRANCAS…

Nas noites brancas…
Quando o sono se ausenta
Apenas o sonho me assiste
Na hora da tua ausência…

Das nuvens mentais…
Chovem recordações…
De sorrisos rasgados…
E beijos roubados...

O perfume do teu pescoço
Enfeitiçava meus lábios…
Roubando-me beijos…
Com ardência …

Então chorro…
Refém da saudade…
Nesta torre de marfim
Chamando por ti…

Gritei ao vento…
Desafiei o tempo…
Percorri montanhas
Em busca de ti…

Será que ainda suspiras…
Pelas noites brancas?
Refém dos lençóis…
Abraçada pela paixão…

Será que tua beleza…
Continua a fazer estragos…
No coração de quem te cruza?
Longe do meu amor…

Continuas pensando em nós?
Nas recordações que te restam
Deixando-me eternamente viver…
Nas tuas noites brancas…

Quero salvar o desejo…
Resgatar o passado…
E nas noites de sono…
Dormir ao teu lado

António Afonso 2017/02/25

(reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

vestido pela pedra...

O grito golpeia o tempo
Deixando-me apenas estátua...
vestido pela pedra fria…
Separado pela eternidade…

Aqui, no meu pedestal…
Apenas sinto as lágrimas
Que o vento te rouba…
E por sorte me traz…

Se eu pudesse…
Retrair o tempo…
Despir a pedra….
Chorar por ti…

Afastava a escuridão
Para deixar o sol brilhar
E beijar com amor…
O que levas no coração…

Sinto-me perdido…
Nesta selva de recordações…
Onde o vento varre a folha
E as ruínas choram por ti…

Nas noites de ventania
Ouço uivar teu nome
Pelas frestas do âmago
Mitigando tua ausência

No museu intemporal...
A multidão me vê…
Mas tu não me visitas…
Abrindo portas a solidão

Se eu pudesse sentar…
Nos degraus da vida…
Descansar e sonhar…
Para ti criava outra história…

Onde o silencio…
Ganha vida…
E a morte se confunde
Com a eternidade…

Onde o amor…
Renasce das cinzas…
E da pedra se faz homem
Para sempre te amar…


António Afonso 2017/02/04
(Reservados direitos de autor – Lei 50/2004)