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sábado, 17 de junho de 2017

HOMEM DE RUA...

Caminha sozinho nas areias...
Mão nos bolsos com frio nas veias

Homem solitário na vida vagueia
Nas ruas vazias procura sua ceia...

Refugia-se nas atenuas memórias
Em instantes de vida lúcida e sóbria

A calçada não censura pegadas...
Com partidas e ausências de chegadas

Conta as estrelas de olhar vazio...
Deambulando pela noite com ar vadio

E quando o sol banha a sua carola
Delira com recordações de gabarola

Sonha com verdadeira mão amiga...
Tem poucas forças, não quer briga...

A esperança fica no fundo da garrafa
Anestesiando sua dor a cada golada

Soluça, mas não cede a falsa piedade
Ciclo vicioso gerado pela sociedade

A moeda por si não alivia..
Vaidosa caridade de culpa vazia...

Esta alma vestida de homem...
Perdeu-se no caminho de ontem

Procurando o amanhã que foge...
Esquecendo-se de viver hoje...

Se alguém encontrar essa criatura
Estendem-lhe uma mão segura

As pisadas nunca se cruzam em vão...
Solitários na rua amanhã talvez serão...

Mão amiga as tantas pedirão...
Ao homem que vagueia na solidão

ZÉBIO 2017/006/17
(Reservados direitos de autor- Lei 50/2000)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

LÁGRIMAS AO VENTO...

Ainda ontem…
O tempo era infindável…
A idade concluía de nascer…
O mundo se apresentava…

A voz ecoava…
A palavra se fazia…
Os ruídos rasgavam o silêncio
E a visão saía a descoberta

As primaveras se foram…
Levando tua sensualidade…
Deixando recordações…
E saudades aos milhões...

Levaste o meu tempo…
Para ocultar do meu olhar
Os frutos proibidos…
Germes da nossa paixão

Atirei aos quatro ventos
Lágrimas de amor…
Envoltas na esperança…
Para encontrar teu altar

Como se fosse semente
Momentos do agora…
Vividos intensamente…
No calor da tua hora…

Para germinar no teu peito
Com sabores de outrora…
Fortalecidos pelo desejo…
De uma nova aurora…

António Afonso 2017/06/07

(reservados direitos de autor – Lei 50/2004)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

AMOR QUE NUNCA MORRE...

Ouço ecos na mente…
Palavras perdidas…
Murmúrios de gente…
Pesares de outros tempos

Ouvidos selados…
Sentidos negados…
Emoções a flor da pele…
Desabafos de sempre…

Queixas da mente…
Que o tempo não conhece
Anos que se fecharam…
No amago da nossa história

Persianas pesadas…
Sequestro da escuridão
No quarto dos fantasmas
Gritando por ti…

Quero parar a vida…
Apagar o horizonte…
Mas teu sorriso insiste…
E a saudade me assiste…

Meu coração chora…
Todas as palavras…
Todas as promessas…
Desfeitas pelo medo…

Vem dormir no meu peito
Sem ti a vida não tem jeito
Nesse teu olhar perfeito…
Os erros são desfeitos…

Estou a tua espera
Em lençóis de remorsos
Amarrado pela paixão…
Ao amor que nunca morreu

António Afonso 2017/06/02

(reservados direitos de autor- lei 50/2004)